segunda-feira, julho 08, 2013

Edmond Safra, grande filantropo

Edmond Safra faleceu em dezembro de 1999, vitimado por um incêndio em seu apartamento de Mônaco. Seu nome é internacionalmente reconhecido por sua inteligência e capacidade no mundo dos negócios, especialmente na área financeira. Nascido em Beirute e naturalizado brasileiro, Edmond fundou o Trade Development Bank em 1956 na cidade suíça de Genebra, cujos depósitos saltaram de um milhão para cinco bilhões de dólares em apenas três décadas. Em 1966 criou o Republic National Bank de Nova Iorque, que chegou a ter oitenta agências na área metropolitana da Big Apple, sendo considerado o terceiro maior banco daquela cidade, atrás apenas do Citigroup e do Chase. Se fôssemos discorrer sobre todas as atividades empresariais de Edmond Safra, também conhecido por Edmond J. Safra, em que o J é uma referência ao nome Jacob, do pai, precisaríamos de várias edições da Conexão Rio-Miami. Vamos nos ater, portanto, a um aspecto pouco conhecido da vida desse ver dadeiro gênio financeiro do século passado, que sempre fez questão de manter no mais absoluto sigilo a destinação de grande parte do resultado de suas bem sucedidas empresas.

O MAIOR FILANTROPO DO SÉCULO XX


Edmond Safra ajudou a construir, restaurar e manter hospitais, centros de pesquisas, universidades, escolas e sinagogas no mundo todo. Lily Safra, sua esposa, não esmoreceu após o trágico desaparecimento do marido. Ao contrário, procurou dar continuidade à grandiosa obra por ele iniciada, orientando com extrema competência a Fundação Filantrópica Edmond J. Safra, com atuação em lugares tão distantes quanto Kinshasa, no coração da África e Natal, no Rio Grande do Norte. Pouca gente no Brasil sabe disso, mas na capital potiguar a Fundação Edmond J. Safra apoiou a criação do Instituto Internacional de Neurociências, transformando em realidade um antigo sonho do pesquisador brasileiro Miguel Nicolelis, que acaba de ser eleito a Personalidade de 2011.

AS SINAGOGAS

Edmond, em vida, e posteriormente a fundação que ostenta seu nome, sempre tiveram a preocupação em erigir e recuperar sinagogas. Graças a esse esforço foi possível construir, decorridos cinco séculos da expulsão dos judeus da Espanha, a nova sinagoga de Madrid. Amsterdam, Manila, Istambul, Budapeste, Rodes, Cannes, Paris, Evian, Nova Iorque, Miami e inúmeras outras cidades do globo tiveram seus templos judaicos construídos ou restaurados por iniciativa pessoal ou da Fundação Edmond J. Safra. Vou me deter em três magníficos projetos de sinagogas que tive a oportunidade de conhecer. Dois deles já executados e em plena atividade, nos Estados Unidos, e um terceiro em fase de construção, no Brasil.

CENTRAL PARK

Edmond Safra 
Synagogue - N.Y.


No 11 East da Rua 63, em Nova Iorque e a poucos passos do Central Park está instalada a Sinagoga Edmond Safra, em um prédio de linhas extremamente elegantes e clássicas.

Tive a oportunidade e o privilégio de frequentá-la em um Shabat, onde foi possível constatar a eficácia do tratamento acústico utilizado na concepção e execução do projeto.

Como em toda sinagoga sefaradi, existe a restrição ao uso de equipamentos eletrônicos de amplificação da voz durante os serviços religiosos dos sábados.

Com os assentos dispostos em semi-círculo e o teto em forma de abóboda, essa inovadora concepção arquitetônica do espaço dedicado às orações permitiu que tanto a prédica do Rabino quanto a entoação do Hazan pudessem ser escutadas com total clareza e nitidez em todo o ambiente. Foi uma experiência inesquecível.

AVENTURA
Sinagoga Beit Edmond – Aventura

Em dezembro passado a Sinagoga Beit Edmond de Aventura, na Grande Miami, completou dez anos de ininterrupto funcionamento. Localizada às margens de um dos inúmeros canais que entrecortam a cidade, seu prédio reflete, tanto na fachada externa quanto no seu interior, a solidez da milenar tradição judaica. Visitei à convite e na companhia do incansável cicerone brasileiro Fernando Bisker, que conhece Aventura como a palma da sua mão, pois reside e atua profissionalmente na cidade há vários anos. É um monumento que faz jus tanto à herança religiosa ancestral quanto ao bom gosto, pela extrema elegância e sobriedade do seu traçado.

IPANEMA
Centro de Ensino Religioso Edmond J. Safra - Ipanema

É provável que o projeto da Nova Sinagoga de Ipanema tenha sido o último aprovado pessoalmente por Edmond Safra, poucos dias antes do fatídico incêndio que o vitimou. A tradicional Sinagoga Agudat Israel, instalada em uma casa no 109 da Rua Nascimento Silva, já estava ficando pequena para os serviços religiosos. Ipanema crescia quantitativa e qualitativamente e muitas famílias judias estavam se transferindo para o bairro. O sonho dos dirigentes da Agudat era adquirir o terreno ao lado e erigir uma nova Sinagoga. Não apenas um local para orações, mas um verdadeiro centro de pesquisas e estudos judaicos, com biblioteca e espaços para palestras e conferências. Que além de atrair o público da atual sinagoga estimulasse a presença de novos frequentadores, especialmente os mais jovens.
Corte lateral da Nova Sinagoga de Ipanema

O Centro de Ensino Religioso Edmond J. Safra, em construção no 115 da Nascimento Silva, irá funcionar como um pólo aglutinador, destinado a resgatar e difundir a tradição judaica tanto para as atuais quanto as futuras gerações. Como as demais iniciativas apoiadas pela Fundação Edmond Safra o da Nova Sinagoga de Ipanema é um primor de bom gosto e funcionalidade.

O atual dirigente da Agudat Israel, Engenheiro Salim Belaciano, também nascido em Beirute e que chegou ao Brasil junto com sua família aos 11 anos é um apaixonado pelo projeto e só irá descansar no dia em que for descerrada a placa inaugural da instituição.

Eleito e re-eleito Presidente da Agudat, Salim tem o firme propósito de concluir as obras da Nova Sinagoga de Ipanema ainda em sua gestão. A localização é excelente e a Fundação Edmond Safra já deu o pontapé inicial, participando, inclusive, dos esforços para a aquisição do terreno. É preciso arregimentar, agora, um mutirão de doadores e futuros frequentadores da Sinagoga para transformar em realidade o sonho comum de um punhado de ativistas da Agudat Israel e do grande benemérito judeu Edmond J. Safra, Z”L.

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