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"Aquárius" a história faiscante da discoteca mais incrível que já existiu no Brasil (SP)


Aquárius, era uma vez uma "discothèque"



 Henry Caram e abaixo Bethy Faria com Walter Clark

Às 23 h do dia da inauguração, 15 de outubro de 1978 a Rádio Difusora advertia a população de São Paulo para não mais se dirigir ao local, tamanho o congestionamento – monstro que se formava. Quase 10 mil pessoas adentraram no local.

A fórmula era encantar ao máximo: à meia noite tudo se apagava, o DJ Sergio Luis Pereira, o Sergio Banana atacava com o tema de Star Wars e desciam as torres de néon do teto que tinham motores importados. Era o delírio!

 foto abaixo- O casal top do high de 1979, Chiquinho Scarpa e Alice de Freitas

O sucesso foi imediato, as celebridades aderiram imediatamente, assim como o Jet- Set, o soçaite, os notórios personagens das colunas de Tavares, Alik e Maria Aparecida Saad. A Relações Públicas era a hoje cronista social Baby Garoux. Para as festas de cinema quem comandava era o casal Sarah e Maurício Kus. As festas dos filmes Eu Te Amo de Jabor, Novecento de Bertolucci foram fabulosas; era preciso todos os dias ter um público de 2 a 5 mil pessoas. Criar, inventar era o tema. Eram 10 assessorias sociais, RP e imprensa lado a lado, juntas!
 Olney Kruse e Rubens Ewald Filho em 1979 na festa de estréia do filme 1900 de Bertolucci, em festa organizada por Sarah e Mauricio Kus. O filme foi exibido com vários cortes no país. Tempos de ditadura.


“Em dia das grandes festas do Aquárius vendíamos o triplo na L mon L”, relembra Eugênia Fleury, dona então da marca com Montserat Coelho.

Uma projeção para 2 mil pessoas de Saturday Night Fever / Os Embalos de Sábado a Noite, o filme – mito de John Travolta para 2 mil VIPS três meses antes da estréia brasileira causou comoção em todo Brasil.
 Tudo era feérico e grandioso como nas três casas ícones que inspiraram Caran: Studio 54, Xenon, ambas em Nova Iorque e Le Palace em Paris.




 “No Reveillon de 1978 para 1979 pedimos para Carmem D’alessio convidar os 50 melhores freqüentadores do Studio 54 para a festa Le Bal Blanc. Vieram Christopher Reeve que acabara de fazer um remake do SuperMan e ninguém apostava nele,  o Egon Von Furstenberg, a irmã da Liza a Lya Luft; todos na primeira classe da PanAm e com caixas de champagne Crystal à disposição. Foram 8 mil pessoas nesta noite na Aquarius!”, relembra ainda orgulhoso Henri, hoje com 56 anos e dono de um simpático bar na Nova Faria Lima , o Le Caipirinha. “Na Noite Preta e Branca  em que o fotógrafo Dimas Schittini retratou as 50 dondocas mais glamurosas  do Brasil, as 3 da manhã tiveram que chamar a polícia tamanho o tumulto armado, SEM PROBLEMAS! No dia seguinte era festa da ELLUS com Lauro Corona e Glória Pires de HOSTS; o pai da Glória a entregou aos meus cuidados, ela era uma criança”, gargalha Henri, que trouxe ao Brasil Glória Gaynor, James Brown, o Village People; “mas o show que mais faturou foi o de Ney Matogrosso visto por 7.300 pagantes em dia de semana!”, confessa.



Por trás de tudo uma apoio imenso: o da TV Globo que exibia cenas ou shows (Rita Lee, Elis Regina) gravados no Aquarius de 2 a 3 vezes por semana. Tudo ia bem até que um erro de Marketing foi fatal: a direção deu OK para a filmagem da novela Cavalo de Aço da concorrente TV Bandeirantes fosse gravada nos interiores da casa. Na trama, Irene Ravache e Juca de Oliveira eram justamente donos de uma discoteca. “Aí a Tv Globo rebateu com Dancin Days, onde a boate pegava fogo no final. Aí a Alcione faz um especial onde condenava para todo Brasil a Discoteca porque os músicos brasileiros estariam morrendo de fome. Outra coisa, eles estavam com ódio do Walter Clark, dono da Som Livre, cujos LP’s eram os de onda da discoteca”, desabafa após 26 anos.

O fim do Aquarius coincide com o fim da era disco. “A pressão negativa da globo, o fim do 54, o público mudou e vinham pessoas desconhecidas que gastavam tudo o que tinham no visual e nada na casa...as celebridades foram conhecer endereços novos e menores como Gallery, Régine’s ou voltaram ao Hippopotamus...o Aquarius precisava de muita gente para dar o clima feérico, minha Escultura de Gelo foi se derretendo”, lembra.Henri que ainda teve uma empreitada de muito sucesso: o Via Brasil até 1986, na Nove de Julho.

Assim, em 20 de junho de 1982, sem festa, fechava a porta da mais significativa casa do cenário noturno brasileiro dos tempos modernos. Quem dançou lá, nunca mais se esqueceu.

Ovadia Saadia
Email: ovadiasaadias@terra.com.br
(11)3826-5089/ 3825-9859

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Matéria publicada em 01.08.2005 no site Ovadia Saadia e na Revista Flash.


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