quinta-feira, outubro 04, 2012

Hebe para mosaique des photos todas autorizadas

Capítulo XXXI - Do livro de memórias ainda inédito: "Rápido antes que eu me esqueça")

Em 1966 eu mal falava português e tinha meu melhor amigo o Francisco Moreno, hoje médico e ser dos mais políticos em relação à questão israelense. Nosso sonho era descobrir uma passagem secreta para outro planeta em pleno Centro de São Paulo para podermos virar celebridades e sermos entrevistados pela... Hebe!

Nestes mesmos pobres e emigrantes anos 60 lembro de vizinhos de andar falando em línguas impronunciáveis entre si sobre ela, a primeira dama da TV no país. Falavam de suas jóias e de seus salários... Gente que não falava ainda o português. Aos 28 anos de idade minha mãe (1935- 2002) uma manhã me contou ter sonhado que estava no camarim de Hebe. Nunca se falaram, mas em 1984 fiz uma festa estranha para Agnaldo Rayol no Régine's onde foram 1.200 pessoas, e no meio do tumulto as duas se trocaram sorrisos. Por outro lado, numa fria noite de 1987 levei minha bien aimé dupla pai-mãe conhecer as instalações do Night Club Gallery e pelo vidro que separava o restaurante do Bar e da boate, Hebe jantava com o marido Lélio e Ronald Golias.

De lá para cá, quase 50 anos depois, não me lembro de um ano que não tenha na memória alguma lembrança da mulher-fenômeno: quando não podia falar ao ser ovacionada na entrega do troféu Roquete Pinto, então começou a cantar e depois disse "agora consigo";

Na festa de primeiro aniversário da "minha" boate Régine's (31/03/1981-14/08/1985) ela escorregou na feérica pista de danças ao meu lado. Não sei por que aquilo me chocou: achava que as rainhas não derrapavam.

A carreira sempre fez que nossos destinos se cruzassem de uma forma ou de outra. Não somos amigos, mas nos cumprimentamos sempre. Nunca fiquei mais de seis meses sem a ver em algum lugar. La Tambouille e A Bela Sintra as vezes na mesma semana.

Na festa inaugural do hotel Unique São Paulo (outubro de 2002), o desfile beneficente para Laramara teve assinatura da grande Eugênia Fleury, que convidou Hebe para ser a mestra de cerimônias. Foi um trabalho árduo pelo inesperado. Amaury Jr. exigiu exclusividade para cobrir a festa sem interesses comerciais. Tive então que desconvidar outras TV's que haviam sido convidadas e já agendadas e programados seus câmera man, o que foi minha vigília noturna- zumbi. Peço desculpas até hoje, quase uma década depois.

Não dá para esquecer ela cantando, com vestido azul, para o empreendedor dono da casa Victor Siaulys (1935- 2009), absolutamente embevecido "Como é grande o meu amor por você", num palco-passarela que logo se transformaria no cenário dos eventos mais poderosos do país. Hebe-talismã. Jóias atraem fortunas.

O velório do marido Lélio, numa sala VIP do Hospital Einstein, o Plaza Athenée em Paris, a viagem para Nova Iorque agitada por Greice Pentado para um de seus hotéis representados, acho que o mesmo Plaza Athenée NYC. As coberturas para CARAS, Chiques & Famosos, Flash. A raposa azul no Gran Meliá Mofarrej pra uma exclusiva para Isto É Gente e as confidências para Diógenes, hoje cronista da Coluna Monica B. na Folha de SP. O jogo do Brasil no La Tambouille na penúltima copa e a crise de mau humor ao final da derrota. A festa dos seus 80 anos que parou o domingo paulistano em grande e histórico gala na casa de uma socialite-empresária sabe lá o que mais.

Nossas amigas em comum Rosemary e Wanderléa, cantoras. Estivemos todos reunidos uma só vez no restaurante A Bela Sintra até o amanhecer. pós show do Roberto Carlos que cantou em 2008 com um monte de mulheres-amigas cantoras no Teatro Municipal de São Paulo. De hora em hora, Hebe, já com a Persona de grande anfitriã e bonne vivante Jet setter, lançava em direção à nossa mesa perpendicular:

- Wandeca, pega essa- Senhor Juiz, pare Agora... e o BELA vinha abaixo com os 50 privilegiados entoando o refrão do velho e maior sucesso da temporada das rádios de 1966/67...

Celebridades nacionais pós anos 80 tipo Luiza Brunet não entendiam nada..

O velório do amigo em comum inesquecível- digan que lo digan - Carlos Armando Forino Rodrigues: conduzi Hebe e sua amiga Rosinha Goldfarb morrinho acima do Oswaldo Cruz na Bela Vista, junto ao motorista que as aguardava. Justo neste momento deu meio dia e uma sirene tocou e um enxame de enfermeiras e auxiliares hospitalares de cozinha, laboratoriais e administrativos coreu em direção à musa televisiva.

- só peça para não me pegarem e beijarem muito, porque são mais de 200, me suplicou ao pé do ouvido. Tudo em vão. Não vi mais nada, só o motorista tentando colocá-la no banco de trás da Mercedes. Entendi - na pele- sua força popular e carisma únicos nesta triste segunda-feira cinzenta.

Depois me lembrarei de mais passagens, depois. Não contei para ninguém como fiquei triste quando veio a noticia do câncer 2010. Os traumas voltam a tona nestes anúncios. Seria possível um país sem Hebe?

E de repente, fim de 2010,uma gravação de DVD poética-emotiva no Credicard Hall.

Mulher-mídia. Tudo de novo, o exemplo do eterno reinício. Seu sensual e justo longo branco mil pedrarias e jóias da rainha de sabá me lembraram o show de 1972 de Marlene Dietrich em Londres. A câmera captou, entre um cantor- convidado e outro, momentos da grande musa sozinha no palco, olhando em direção ao céu de néon; talvez agradecendo tantas glórias e graças recebidas. Talvez.

O sofá agora está vazio, alguns corações brasileiros também, toda uma geração televisiva que se acbou definitivamente dia 29 de setembro de 2012 com sua repentina morte enquanto dormia. E sonhava. Que vida ela teve minha gente!



























































































Nenhum comentário:

Postar um comentário